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Sabe Quanto Paga em Impostos?

Em Portugal, pagar impostos não é um acto isolado. É um ciclo permanente. O contribuinte paga quando trabalha, quando compra, quando poupa, quando investe, quando abastece o carro, quando compra casa e até quando transmite património. O imposto tornou-se uma presença constante na vida dos particulares e das empresas.

O problema não está apenas na existência de impostos. Um país precisa de financiar saúde, educação, segurança, justiça e infraestruturas. O problema começa quando a carga fiscal atinge níveis tão elevados que quem trabalha, produz ou investe sente que trabalha cada vez mais… para ficar com cada vez menos.

E é exatamente essa sensação que muitos portugueses têm hoje.

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O seu Salário não corresponde ao valor líquido depositado pela entidade patronal na sua conta bancária.

A maioria dos trabalhadores olha para o valor líquido recebido ao fim do mês e acredita que aquele é o verdadeiro valor pago pelo seu trabalho, livre de quaisquer impostos. A realidade não é bem assim.

Um trabalhador com um salário bruto de 1.500 € enfrenta imediatamente:

  • desconto para a Segurança Social (SS);
  • retenção na fonte de IRS;
  • outros impostos diretos, discriminados no recibo de vencimento.

Tomemos como exemplo um trabalhador solteiro, sem dependentes, auferindo um Salário bruto: de 1.500 €.

Descontos diretos do trabalhador:

·        Segurança Social (11%): 165 €

·        Retenção de IRS: aproximadamente 140 €

·        outros impostos diretos, discriminados no recibo de vencimento, cujos valores não vamos considerar neste exemplo.

Considerando apenas os descontos para a SS e para o IRS, resta um valor líquido de cerca de 1.195 €, o qual será garantidamente inferior, uma vez que apenas consideramos a contribuição para a SS e a retenção na fonte de IRS.

Até aqui, mais de 300 € desapareceram antes do trabalhador receber o salário.

Mas existe ainda um valor invisível para muitos: a contribuição paga pela entidade patronal à Segurança Social, a Taxa Social Única (23,75%): 356,25 €

À partida, este valor em nada interfere com o vencimento, no entanto, sempre que são debatidos eventuais aumentos de vencimento, esta TSU tem um peso relevante.

Resultado Final:

Custo total para a empresa: 1.856,25 €

Valor líquido recebido pelo trabalhador: menos de 1.195 € (uma vez que não consideramos todos os descontos)

Diferença: Mais de 660 € ficam imediatamente nas mãos do Estado antes de o trabalhador gastar um único euro.

No entanto, a tributação não termina aqui. Por cada euro gasto, o trabalhador continua a ser tributado.

IVA: O Imposto Que Está em Quase Tudo

Sempre que compra roupa, eletrodomésticos, refeições, combustível, telecomunicações, serviços digitais, produtos de higiene, mobiliário, está a pagar IVA.

Em Portugal Continental, a taxa normal é de 23%, que se aplica à maioria dos produtos. Existe ainda uma taxa intermédia que se aplica a bens específicos, com destaque para o setor da restauração (alimentação e bebidas não alcoólicas), óleos alimentares e alguns eventos culturais, e uma taxa reduzida destinada a bens e serviços essenciais, que inclui produtos alimentares básicos, medicamentos, alojamento em hotelaria e livros

Isto significa que numa compra de 100 €, uma parte considerável corresponde apenas a imposto.

O consumidor apenas vê o preço final, no entanto, parte desse valor, já está destinado aos cofres do Estado, ainda antes da compra acontecer.

Combustíveis: Um dos Maiores Exemplos de Carga Fiscal

Poucos produtos mostram tão claramente o peso dos impostos como os combustíveis. Nas bombas de combustível, em cada pagamento de gasolina ou gasóleo estão presentes:

ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos);

taxa de carbono;

IVA;

IVA aplicado sobre outros impostos. Sim, é verdade, em Portugal paga-se imposto sobre imposto.

Em muitos períodos do ano, mais de metade do valor pago num depósito de combustível corresponde apenas à carga fiscal.

Imagine um abastecimento no valor de 100 €. Mais de 50 € vão parar aos cofres do Estado, diluídos pelos vários impostos associados ao combustível.

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Comprar Casa? Prepare-se Para Pagar

Quem compra habitação em Portugal enfrenta:

IMT - Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis;

Imposto do Selo;

Taxas notariais;

Custos de registo;

IVA em materiais e serviços;

IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis (anual);

AIMI - Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis. Este imposto adicional depende do valor do imóvel e apenas é tributado para imóveis afetos à habitação a partir de 600 mil euros para proprietários individuais ou 1 milhão e 200 mil euros para casados ou que vivam em união de facto. Este valores, que continuam a ser bastante elevados, deixaram de abranger apenas os proprietários mais ricos, tendo em conta o aumento substancial do setor imobiliário em Portugal.

Mesmo depois da casa estar totalmente paga ao banco, o proprietário continua a pagar imposto anual apenas por possuir o imóvel.

Para muitos portugueses, a sensação é simples: a casa nunca é totalmente “sua”. Existe sempre uma obrigação fiscal associada.

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Voltando ao trabalhador que aufere um vencimento bruto mensal de 1.500 €, cerca de 1.195 € líquidos, ao longo do mês paga:

·        IVA nas compras;

·        ISP no combustível;

·        IUC do automóvel;

·        IMI da habitação;

·        portagens;

·        impostos sobre telecomunicações;

·        taxas bancárias;

·        imposto de selo em contratos e créditos;

·        tributação sobre poupanças ou investimentos.

No final, entre impostos diretos e indiretos, uma parte muito significativa da riqueza produzida pelo trabalhador acaba entregue ao Estado.

E isto sem contar com aumentos constantes de preços provocados pela carga fiscal sobre empresas, energia, transportes e produção.

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O Impacto Real na Vida dos Portugueses

Uma carga fiscal elevada tem consequências reais:

·        reduz o poder de compra;

·        dificulta a poupança;

·        atrasa a independência dos jovens;

·        limita o investimento;

·        desmotiva quem quer crescer;

·        obriga muitos portugueses a emigrar.

 

Quando trabalhar mais deixa de compensar proporcionalmente, a economia perde dinamismo e o país perde talento.

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Conclusão

A maioria das pessoas não sabe que paga impostos nas pequenas compras diárias.

O debate económico em Portugal aponta frequentemente para o fenómeno da ilusão fiscal. Como a carga fiscal portuguesa assenta fortemente em impostos indiretos (como o IVA, o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos ou o Imposto de Selo), muitos contribuintes pagam impostos de forma invisível. O cidadão sabe que o preço das coisas está caro, mas não tem a perceção imediata de que uma fatia substancial desse valor vai diretamente para o Estado

Dificilmente haverá quem consiga contabilizar quanto realmente pagou em determinado mês em impostos. Isto porque os impostos diretos são mis facilmente identificados, no entanto os indiretos escondem-se no preço de quase tudo.

E talvez seja precisamente aí que reside o verdadeiro problema: muitos portugueses não têm noção da dimensão real da carga fiscal que suportam todos os dias.

Contudo, os Impostos são necessários. De outra forma a máquina do Estado entraria em colapso.

Um contribuinte informado toma decisões mais conscientes. E uma sociedade transparente começa quando as pessoas percebem quanto custa, realmente, o funcionamento do Estado.