Este projeto teve como propósito inicial a denúncia de situações de marketing agressivo, praticado por diversos setores e empresas, nomeadamente o setor de venda a retalho.
O cenário global dos últimos anos foi marcado por uma sucessão de crises sem precedentes que transformaram profundamente a economia. Primeiro, a pandemia de COVID-19 desestruturou as cadeias de abastecimento mundiais e alterou os padrões de consumo. Pouco tempo depois, o início do conflito na Ucrânia espoletou uma crise energética e alimentar global, inflacionando drasticamente o custo dos combustíveis, dos fertilizantes e dos cereais.
Mais recentemente, a instabilidade intensificou-se com o conflito na Palestina, despoletado após os ataques em Israel, e escalou ainda mais com as tensões geopolíticas diretas entre os EUA e o Irão, ameaçando rotas marítimas comerciais vitais e pressionando os mercados financeiros internacionais.
Este cenário acumulado levou ao aumento significativo do preço das matérias-primas à escala global. No entanto, o preço das commodities e dos custos logísticos estabilizou há algum tempo. A grande questão que nos move hoje é que esta estabilização não se refletiu nos preços dos produtos cobrados ao consumidor final.
Assiste-se, em vez disso, ao fenómeno que a economia apelidou de greedflation (inflação pela ganância): as empresas mantiveram os preços artificialmente elevados para maximizar as suas margens de lucro, utilizando os contextos de guerra e crise como uma espécie de "escudo de marketing" ou desculpa permanente perante o consumidor.
O Preço Justo nasce precisamente para combater essa assimetria de informação. Não aceitamos que as crises internacionais sirvam de pretexto eterno para o empobrecimento das famílias e para o enriquecimento desproporcional do grande retalho.
A nossa missão é analisar, comparar e expor de forma clara as discrepâncias do mercado. Acreditamos que o consumidor informado tem o poder de exigir transparência e, acima de tudo, o direito a pagar um preço que seja, verdadeiramente, justo.
