Sistema Volta: reciclagem ou negócio?


O Sistema Volta é apresentado como uma medida de incentivo à reciclagem, mas a sua implementação levanta sérias dúvidas. Uma das mais incompreensíveis é a exigência de que as embalagens sejam devolvidas em perfeito estado. Uma garrafa ou lata ligeiramente amolgada continua a ser reciclável, mas pode ser rejeitada pela máquina, impedindo o consumidor de recuperar o valor que lhe pertence.

Por trás deste sistema encontram-se produtores, distribuidores e entidades gestoras que beneficiam da circulação de milhões de embalagens. A questão que se coloca é simples: o principal objetivo é aumentar a reciclagem ou criar um mecanismo onde uma parte dos depósitos pagos nunca chega a ser reclamada pelos consumidores?

Quanto mais exigentes forem os critérios de aceitação, maior será o número de embalagens recusadas e maior o montante de valores que fica por devolver. Se a preocupação for verdadeiramente ambiental, todas as embalagens recicláveis deveriam ser aceites, desde que o código de barras e a embalagem permitam a sua identificação.

A reciclagem deve ser simples, transparente e favorável ao cidadão. Quando um sistema cria obstáculos desnecessários, é legítimo questionar quem beneficia realmente com as regras em vigor